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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

tudo junto misturado

domingo é dia de nostalgia, filosofia e 
dormência.. ou seria demência???

“eu quero ficar perto de tudo que acho certo, até o dia em que eu mudar de opinião”

Cada vez mais tenho pensado que tudo que acreditamos ser ou saber não é tão sólido quanto supomos, seguindo a idéia marxista de que “tudo que é sólido se desmancha no ar”
Tenho aprendido naquilo que as pessoas chamam de amadurecimento, que nada é tão certo ou determinado quanto acreditamos. Em determinados momentos, lutamos tanto, com unhas e dentes, por algo, que mais tarde veremos com outros olhares e importâncias, com outros significados e valores, que serão futuramente vistos com o acúmulo que o passar das horas e dos dias dará, que só será permitido com todas as experiências que o que virá nos reserva.

No entanto, se a única certeza que temos é a de que iremos - sem saber quando, como e onde,  morrer; por que temos tanto medo de viver o agora?

Antes de continuar, devo confessar que minha única referência para este texto, sou eu e minhas vivências, permita-me não seguir o curso da sua lógica e tente interagir com o que estou pensando e sentindo agora.


“quando a chuva passar, quando o tempo abrir, abra a janela e veja: eu sou o sol”


No afã de não viver o momento, começamos a nos preparar p/ o que seremos ou representaremos a nós ou aos outros no futuro... e eu continuo a questionar: q medo paralisante é esse q sentimos e que nos faz querer sempre ser o algo bom que vem depois? A última bolacha do pacote? Será mesmo que é somente a sensação final que conta ou a que fica com mais força? E todo o universo de acontecimentos que nos levou até ali?


“e era tão real que eu só fazia fantasia e não fazia mal (...) e o que passou calou e o que virá dirá”


Não... a ultima sensação, assim como a primeira impressão não é a que fica!!! Sempre será necessário um grande desprendimento para nos permitirmos a felicidade... porq ser feliz não é uma receita de bolo, que se faz com ingredientes e quantdads específicas... a felicidade (é uma filha da mãe... rsrs...) se esconde no que há de mais simples e não naquilo que complicamos

Felicidade é uma decisão, um modo de ver, encarar, viver as coisas... porq não sabemos qndo seremos tomados por uma euforia desorientadora ou por um medo avassalador da perda disso...


“mudaram as estações, nada mudou, mas eu sei que alguma coisa aconteceu”


Estamos sempre nos renovando, a cada minuto seguinte, algo em nós já não consegue mais se comportar como sempre se comportou, as coisas começam a não sair como de costume... e tudo vai saindo da nossa lógica de controle...porém, percebo algo que cada dia se torna mais corriqueiro na vida de meus próximos e na minha própria: o mundo moderno nos exige um ritmo alucinante de atividades, agendas, compromissos e comprometimentos a serem realizados com tanta eficiência e eficácia qnto todas as teorias administrativas possam defender... cada vez mais, estamos atolados e por mais que trabalhemos e ganhemos, nunca é o suficiente, sempre há algo a ser feito, conquistado, comprado e assim tentamos substituir o que nos falta por estes pequenos luxos, que na verdade, não suprem nada e vão sempre necessitando de mais e mais... e descobrimos o quanto o capitalismo fede, mas nem sempre nos atentamos aos fatos.


“esse medo de perder não te deixa me olhar”

na verdade, é algo realmente bem especifico que nos movimenta e nos tira do controle: o sentimento.

O sentimento pode ser um Deus, um pai, uma mãe, um filho, um projeto, um amigo, um homem, uma mulher, um animal... mas é o sentimento que nos move, que nos tira do que controlamos, que nos dá sentido fora da lógica que conhecemos e controlamos... é quando sentimos, que temos medo da perda, que temos medo da entrega, da vida ou de uma vida com a ausência do que estamos sentindo.

O sentimento é tão bom, que somos covardes a ponto de não vivê-lo só pra não termos o tormento de viver, em algum momento, sem ele ou sem o objeto de desejo que ele representa...sentir é algo tão bom e tão assustador, que sucumbimos... perdemos nossa lógica, alteramos nossa rotina,...

“levava uma vida sossegada, gostava de sombra e água fresca”


Não sentir é ter o controle sobre tudo, os horários do trabalho, da faculdade, do trânsito, dos restaurantes, das baladas, e de todo o resto de insignificados... mas quando não há nada, além da lógica, este sossego nos cansa, nos desestimula, nos torna pouco criativos, pouco ousados, nada inventivos... o sentimento não está a nos mover, não funciona como uma mola mestra ou uma alavanca e é nesse momento que nos tornamos uns chatos.


“te vejo errando e isso não é pecado, exceto quando faz outra pessoa sangrar”


Sentir não é necessariamente o problema... é até um impulsionador (seria esta a palavra? )... a grande questão é “o que faremos com isso”!

Como em tudo na vida, não é o “o quê”, é “o como”!

Como iremos lidar com isso, como agiremos com o grande dono dos nossos sorrisos, afinal, amar é sempre mais fácil que ser amado.

Quando amamos, estamos vivendo nosso"impulsionador", nos alegramos com coisas tão sutis e nos ferimos por coisas menores ainda... e quando somos amados? até que ponto temos paciência, sutileza, sensibilidade pra lidar com um sentimento que não escolhemos... se o possuidor deste sentimento não for alguém a quem queremos corresponder... como lidar com isso... seremos empáticos?


“se eu tiver que te dizer, tudo pode ser em vão, tudo que eu já sofri”


Nesse momento, eu penso e sinto que somos o que vivemos, sentimos... Não adianta correr tanto, porq deixamos de ser com a mesma rapidez com a qual somos ou fomos, nos enlouquecer com o trabalho ou com o consumismo e acreditar que por estas questões seremos melhores do que já fomos... só somos o que somos...

Mas, o que somos????
É tão chata essa historia de ter que viver explicando tudo o tempo todo

Bem melhor quando os outros fazem um esforcinho pra perceber o que estamos sentindo, adivinhar o que pensamos e o que estamos querendo... Mas, afinal, nós o fazemos???

Adianta sofrer se depois precisamos explicar tudo... o como e o por que...
Então, me parece mais viável explicar antes...
No entanto, são emoções e elas não seguem uma ordem de funcionamento pra que tudo ocorra como planejado.


“a alegria do pecado às vezes toma conta de mim e é tão bom não ser divina”


No fundo somos só humanos... um monte de terra com sopro da vida!

Acho que temos que aprender mais a perdoar a nós mesmos, a nos cobrar menos, nos permitir mais, poder dar umas bolas foras vez ou outra, entender que não devemos nada a ninguém, pois as pessoas que mais nos apontam são as que, exatamente, não estarão lá pra nos apoiar nas horas de queda.

“nos dias frios em que nós estamos juntos, nos abraçamos sobre o nosso conforto de amar”


Por isso mesmo, devo confessar que nos dias frios em que vivi, o conforto de amar, mesmo estando distante dos braços que me abraçam, me fizeram tanto bem... Porque amar é tão reconfortante e traz realmente tanto calor a nossos corações (ao meu, pelo menos)

Como é maravilhosa a tecnologia, que nos permite receber um torpedo no meio de uma reunião chata (ou não), só pra não nos deixar esquecer o quanto somos importantes, que fazemos falta... como eu adoro a webcam que me permte ver meus filhos e meus amigos em tempo real, o msn, os e-mails... enfim!

Nesse momento, eu entendo o que faz mais falta: o cheiro!

Sentir o cheiro de uma pessoa é um gesto tão intimo e tão pessoal, que nenhuma tecnologia pode suprir.

“o meu coração é um músculo involuntário e ele pulsa por você”


É como “amar em minúscula” (li este livro anos atras), onde um mínimo gesto pode mudar todo o curso da sua vida... e entendo que o menor dos gestos é também o mais importante, o desprendimento.


“deixa eu decidir se é cedo ou tarde, espera eu considerar”


Mas pra ser desprendido, precisamos de um outro lado que respeite nosso ritmo, mas sem esperar demais... o medo nos paralisa, por isso precisamos amadurecer nossa capacidade de entrega, porém, não podemos ter chance de pensar demais nem ter chance ou coragem de desistir... há que se ter alguém que nos jogue contra a parede e ao mesmo tempo nos envolva, nos faça sentir que a perda de tudo aquilo pode ser enlouquecedora.



“que tal abrir a porta do dia, entrar sem pedir licença, sem parar pra pensar, pensar em nada... legal, ficar sorrindo a toa, sorrir pra qualquer pessoa, andar sem rumo na rua... pra viver e pra ver, não é preciso muito... atenção, a lição está em cada gesto... ta no mar, ta no ar, no brilho dos seus olhos... eu não quero tudo de uma vez, eu só tenho um simples desejo: hoje eu só quero que o dia termine bem, hoje eu só quero que o dia termine muito bem.”




p.s.: todos os trechos destacados foram extraídos de das musicas do CD Mulheres 2 - domingos de nostalgia, reflexão, e dormência me dão ânsia... o morno me faz vomitar 

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